A técnica geral da massagem compreende as diversas manipulações, independentemente de qualquer adaptação a casos patológicos particulares.

Antes de iniciarmos as técnicas, vejamos primeiramente as condições básicas:

1- Massagista.

O Massagistas deverá ser dotado de certo rigor muscular e ser extremamente hábil. Deverá ter os braços nus e limpos para operar. Suas mãos deverão estar particularmente tratadas, e suas unhas arredondadas com lixa.

Lavará as mãos com água e sabão antes e depois de cada sessão. Toda a sala de massagem será provida de um lavabo com torneiras de água quente e fria.

Também é recomendável uma solução de água boricada a 3% e de água de colônia ou de álcool a 60º estarão à disposição do massagista e do cliente (paciente), a fim de completar a higiene das mãos se um ou o outro assim o desejar.

2- Paciente/Cliente.

Salvo muito raras exceções, o paciente repousará sobre uma cama de massagens (maca) acessível por ambos os lados. Nesta posição o paciente é sustentado de todos os lados, resistindo melhor às manobras do massagista, livrando-se da síncope, caso a massagem seja dolorosa, e pode, enfim, deslocando-se ligeiramente, apresentar com desembaraço ao operador as diferentes regiões sobre as quais este último deve conduzir suas ações.

Em se tratando de praticar a massagem geral, o paciente estará com poucas roupas e leves, ou apenas nu. Já para massagens localizadas, somente a região sobre a qual se deve agir estará descoberta.

Na posição de decúbito dorsal, uma almofada manterá a cabeça ligeiramente elevada, e duas outras almofadas serão colocadas sobre o côncavo poplíteo de cada perna, para obter um relaxamento completo da musculatura.

Na posição de decúbito ventral, o corpo repousará sobre a cama com a barriga para baixo, a testa apoiada sobre o antebraço e os tornozelos ligeiramente elevados por uma almofada.

3- Local e Material.

O quarto ou ambiente no qual será praticada a sessão de massagem deverá sem bem claro e mantido a uma temperatura de 20ºC.

Almofadas de pano envolvidas por tela impermeável e recobertas por papel ou guardanapos, ou então blocos de espuma de borracha desinfetável apoiarão e sustentarão as regiões a serem massageadas.

Sua forma poderá variar. Duas almofadas longas serão utilizadas para massagem dos membros. Duas almofadas redondas, destinadas a suportar uma articulação ou a extremidade de um membro, serão suficientes para todas as necessidades.

A mão do massagista não deverá jamais estar fria e nem úmida. O talco de veneza deixa sobre a pele uma camada nacarada, brilhante, e é inalterável.

Ele favorece os deslizamentos e torna as pressões mais leves. Assegura um contato suave e regular. O amido e a fécula deslizam mal e acabam por aderir mais e fermentar, não sendo adequados.

É também recomendado o uso de glicerina que, por ser solúvel em água, permite, uma vez terminada a sessão, fazer comodamente a higiene da região com uma pano embebido em água morna.

Convém lembrar que nada substitui a mão e a habilidade do massagista. Os aparelhos de massagem mecânicos e elétricos não os substituem, ao contrário, frequentemente fazem surgir problemas e outros traumas.

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4- Duração e Modalidade.

A duração de uma sessão de massagem não deverá ser exatamente determinada, podendo variar muito de acordo com a extensão da região a ser massageada, a sensibilidade do paciente, seu estado geral, a energia das manobras e a doença ou enfermidade tratada.

Em média, raramente, ultrapassará os quarenta e cinco minutos e, raramente também, será inferior a dez minutos.

A massagem geral exigirá muito mais tempo que uma massagem local. O modus operandi varia de cada caso particular. Fadiga com persistência superior a vinte e quatro horas, esboço de estado de choque, sensibilidade aumentada e músculos em estado de defesa são os sinais através dos quais saberemos que a dose foi muito forte e demasiada.

As consequências de manipulações intempestivas e exageradas, maldosas ou mal feitas podem ser graves.

A duração das sessões, sua repetição e o gênero da massagem a ser feita serão sempre fixados pelo médico assistente. O massagista deverá manter este último a par de qualquer incidente ocorrido durante as sessões e nada lhe deve ocultar.

Para determinar o número de sessões e a duração do tratamento, convém referir-se à suscetibilidade particular de cada paciente e aos resultados obtidos pelas primeiras operações.

Se um tratamento necessita de mais de dez sessões consecutivas, será aconselhável interrompê-lo durante cinco dias antes de recomeçar uma nova série.

Os progressos serão mais rápidos desde a retomada de cada série, fazendo desta forma.

5- Análise prévia do estado dos tecidos da pele.

Antes de qualquer coisa, o massagista deverá ter um respeito absoluto pela integridade dos tecidos (pele) que ele massageia.

Quantas vezes já nos aconteceu constatar lesões contusas realizadas na hipoderme por esmagamentos e ruptura de vasos. O paciente fica completamente coberto de equimoses frequentemente extensas.

E a ignorância do massagista o fazia vangloriar-se de tal resultado. Dizia que, desta forma, a massagem havia sido “bem feita”, pois assim dissolveria a gordura, reduziria a celulite, provocaria a eliminação de ácido úrico e outros.

A verdade é que, cada vez que uma equimose aparece, pode-se afirmar que a massagem foi malfeita. O massagista deve ter a noção muito exata da estrutura dos planos subcutâneos sobre os quais ele age.

A parte profunda da pele difere em estrutura de acordo com sua mobilidade sobre os planos profundos ou a sua aderência a tais planos.

Assim, quando a pele é móvel, tais como tronco, braços, antebraço, coxa e perna; observa-se a seguinte disposição:

a) A face profunda da derme conecta-se estreitamente com os feixes conjuntivos que formam uma densa rede, resistente, paralela às superfícies da pele.

b) Da face profunda da fáscia superficial partem travas conjuntivas de trajeto vertical e oblíquo, que se inserem sobre um membrana. Os dois folhetos da fáscia superficial são, portanto, duas membranas que caminham paralelamente a certa distância uma da outra.

Assim, o conjunto desta camada representa em geral uma extensão gordurosa, espessa, frouxa e muito frágil, que é atravessada pelos vasos superficiais e subcutâneos, cuja ruptura dá-se por traumatismos muitas vezes relativamente leves.

c) Há a parte profunda que é separada por uma rede de tecido conjuntivo frouxo que permite o deslizamento da pelo.

Esta região deve ser sempre tratada com muito cuidado e muita paciência pelos massagistas, porque os vasos arteriais e venosos formam redes bem delgadas e frágeis.

A sua fragilidade está intimamente relacionada com a idade e o estado de nutrição dos tecidos. Assim, pacientes com mais de cinquenta anos não devem ser submetidos nem ao esmagamento, nem à malaxação violenta.

Nos próximos artigos começaremos a abordar os movimentos fundamentais da massagem, detalhando as suas diferenças e aplicações. Não percam!

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